[Promoção de Natal] Um Natal Amaldiçoado

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[Promoção de Natal] Um Natal Amaldiçoado

Mensagem  Abudak Zhalur em Sab Dez 19, 2015 8:18 pm

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Postagem referente a Promoção de Natal.

Um Natal Amaldiçoado.

*DA-LEE*

Ver tudo aquilo era como um tormento para mim. A neve cobria toda a cidade e as pessoas usavam roupas adequadas para a temperatura atual, a maioria dos edifícios estavam devidamente adornados para o natal e os habitantes de New York se movimentavam constantemente, entrando e saindo das lojas para comprarem seus presentes. Saber que aquelas pessoas se reuniriam com seus familiares para celebrarem essa data enquanto eu provavelmente ficaria inconsciente em algum bar esperando tudo isso passar, só fazia minha vida parecer mais degradante do que já era.
Não possuía memórias completas sobre minha vida passada, apenas flashbacks que tivera acidentalmente. Apesar de toda infelicidade que me afligia, esse período natalino me ajudara a recuperar outra memória, uma que certamente não deveria ter esquecido.
Retirei o excesso de neve sobre meus cabelos antes de voltar a caminhar, faltava alguns metros para chegar. Era o único lugar que estava sem qualquer enfeite e plenamente silencioso, outras pessoas dariam meia volta achando que estava fechado, mas eu sabia que não. Madre Soraya, Itens e Ingredientes Místicos, um lugar que marcara minha infância. Ali passei o único natal que me lembrava agora.

*FLASHBACK*

Segurava a mão de minha mãe enquanto caminhávamos as pressas para uma loja, para comprar o presente de um tio que aparecera sem avisar com antecedência. Liana estava com seus cabelos castanhos presos, cobrindo a cabeça com um toca. Seus olhos azuis se destacavam naquele cenário branco, fazendo sua pele pálida parecer uma extensão naquela neve. Apesar do frio que fazia, suas mãos estavam quentes, como sempre, mesmo que não usasse luvas.
Entramos em uma loja de roupas, que estava realmente quente em seu interior, logo retirei minhas luvas, a toca e o cachecol que me envolviam. Ela nem se incomodou, queria encontrar logo um presente para retornarmos para casa o quanto antes, afinal, ainda não havia terminado os preparativos da ceia.
- Lee, pode andar pela loja, mas não saia dela - mesmo quando falava séria, Liana tinha uma voz doce e encantadora.
- Sim mamãe - entrei rapidamente num corredor onde vários casacos estavam à mostra, todos eram grandes e peludos.
Uma das vendedoras começou a falar com minha mãe, lhe mostrando diversas peças masculinas. Como andava com pressas, sem olhar nada com muita atenção, não demorou para que tivesse visto a loja toda, retornando para a entrada. Pele vitrine pude ver do outro lado um comércio que parecia estar fechado, se não fosse por uma fraca luz vindo de seu interior.
- Madre... Soraya... - a placa estava velha e desbotada, o "S" quase não se via direito.
Saí da loja e corri para a outra calçada, parei um instante antes de entrar. O interior estava impregnado pelo cheiro de incenso de mirra, com incontáveis prateleiras preenchidas por diversos artefatos. Facas, jarros, baús, peças de roupas e até mesmo plantas. Duas fileiras de pedras das mais diversas cores e formatos, formavam uma trila até o balcão, de madeira escurecida, coberto com alguns tecidos.
Um gato branco dormia tranquilamente sobre ele, abrindo os olhos somente quando me aproximei do mesmo. Olhando para a porta dos fundos miou e em poucos segundos uma mulher surgiu por ela, parecia até mesmo que o animal a avisava que havia algum cliente no local. De cabelos negros, lisos e compridos, pele mulata, olhos castanhos escuros e corpo magro, usando uma camisa branca parcialmente abotoada e uma saia vermelha que cobria até seus pés. O que mais me chamou a atenção foi numa pedra fixa em sua testa, de cor negra. Era realmente bonita.
- Ah... Um menino - seus dedos acariciaram o gato, que ronronou de satisfação - Em que posso ajudá-lo?
- Me... Me desculpa, eu só entrei para dar uma olhada - meu rosto corou automaticamente, apesar de não ter sido agressiva, me senti um pouco intimidado.
- Entendo. Bem, já que veio sem propósito, que tal eu lhe oferecer um serviço? - sorrindo simpaticamente, gesticulou para que a seguisse - Por conta da casa.
Minha mãe me mataria se eu não voltasse logo, mas não pude resistir ao convite, a curiosidade para ver o que havia no outro cômodo era imensa. Uma mesa redonda coberta por uma toalha vermelha estava ao centro, as paredes eram forradas com animais empalhados, causando certo desconforto. A moça retirou um baralho e começou a misturar as cartas, colocando-as aletoriamente sobre a mesa.
- Sente-se, por favor - não sei se era impressão, mas a pedra em sua testa parecia emitir uma luz violeta - Já que você não vai levar nada, permita-me lhe dar uma consulta. Vou pedir que vire três cartas, a primeira representará seu passado, a segunda o presente e a terceira o futuro.
Com relutância me sentei, antes de apanhar a primeira carta a mulher sussurrou "Almadi, wa'ana 'adeuk. Takshif nafsak!". Quando virei a primeira carta imediatamente me coloquei de pé e recuei alguns passos. Nela havia um esqueleto arrastando uma foice por um campo, onde pedaços de corpos se encontravam espalhados.



- La Muerte - uma risada inocente escapou de seus lábios, me olhando com piedade - É assustadora não é? Mas não precisa se preocupar. Por incrível que pareça, A Morte significa renovação e renascimento, pode significar o nascimento de alguém Levando em conta o quanto você é novo, acredito que se refira ao seu próprio nascimento. Vamos, sente-se, ainda restam duas cartas
Meus instintos gritavam para sair correndo dali, mas como se uma força maior me forçasse a continuar ali. Sentei-me novamente e aproximei a cadeira da mesa. Dessa vez, a vidente sussurrou "Hadha, wa'ana 'adeuk. Takshif nafsak!". A segunda carta revelou uma estrutura com uma roda ao centro, tendo três criaturas semelhantes a grandes felinos agarrados à ela.



- La Rueda de La Fortuna - a sobrancelha direita dela se ergueu e um tom de preocupação se formou na sua face - Dessa vez as coisas não são boas...
- O... O que isso significa? - olhei novamente para a carta, tentando entender o que um roda podia ter de pior que um esqueleto com uma foice.
- Você está passando por um período difícil e não pode fazer nada a respeito, pois é o destino que detém todo o poder sobre ele - seu rosto ficou sereno novamente, como se a gravidade daquela mensagem simplesmente tivesse desaparecido - Agora, o futuro!
"Almustaqbal , wa'ana 'adeuk. Takshif nafsak!", seus lábios pronunciaram. Todo meu corpo vibrou quando toquei na carta e por um momento hesitei em virá-las, mas mesmo assim movi. Um ser com chifres e asas de morcego, pés monstruosos segurando uma espada com dois demônios ao seu lado.



- El Diablo! - suas mãos agarraram as minhas, seus olhos viraram completamente, dando ao seu rosto uma expressão sombria - Bidharrat alshshrr! Fi al'ayam almuqbilat , waiktishaf aldhdhat alhaqiqiat alkhassat bik. Hajis walssuluk alqahri alssaytarat minkum.
Com muito esforço consegui me soltar e sair correndo, derrubando alguns artefatos pelo caminho. No meio da rua esbarrei em minha mãe, que me agarrou pelo braço enquanto gritava comigo desesperada. Lágrimas escorriam por seu rosto, enxugando-as desajeitadamente antes de me abraçar. Não conseguia me concentrar nela, tudo que podia fazer era olhar para a loja, completamente escura e seu interior.


*DA-LEE*

Passando pela porta fiquei impressionado, o interior estava idêntico pelo o que me lembrava, inclusive o gato branco deitado sobre o balcão. Antes que pudesse me aproximar, Madre Soraya surgiu das portas dos fundos, mais velha, com alguns cabelos grisalhos e a pele em torno dos olhos levemente enrugada.
- Bidharrat alshshrr... Pensei que nunca mais o veria aqui - um sorriso doce brotou, passando a mão sobre seu felino.
- Madre, fico feliz que ainda se lembre de mim... Apesar que esqueci de você por um bom tempo - caminhei até seu lado e peguei a outra mão - Preciso que me diga o que significa essas palavras, aquilo que me disseste quando virei a última carta.
- Claro, acho que agora estás preparado para ouvir mais claramente - ela retirou a carta El Diablo da gaveta, marcada com a data que eu visitara ela - Descendência do mal! Nos dias que virão, descobrirás seu verdadeiro eu. Obsessão e um comportamento compulsivo o moverão. Da-Lee, algo muito maior está manipulando seu destino... Infelizmente seus planos são corrompidos, perversos e destrutivos.
- E o que ou quem é essa força maior? - minhas mãos suavam ao ouvir isso.
Antes que a mulher falasse mais alguma palavra um a pedra em sua testa trincou, liberando veias negras pelas rachaduras que encravaram-se em sua carne, expandindo-se por todo seu corpo. Como se um ataque epilético a afligisse, Madre Soraya caiu no chão. A apanhei com meus braços, mas quando o tremor cessou seu corpo já estava sem vida.
Quando me ergui, vi refletido num vaso o reflexo de algo atrás de mim, grande e escuro, tendo dois chifres curvos se projetando de sua cabeça. Entretanto, ao me virar não encontrei nada. Apesar disso, ainda podia sentir uma presença pesada e opressora ali.
- Eu não sou seu!!! - gritei tão furiosamente que meu rosto tornou-se vermelhou e veias saltaram na minha face - Eu não sou seu!!!
Mesmo que o destino estivesse contra mim, não deixaria ele fazer o que bem entendesse.
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